e os seguiu,
brandindo uma clava por cima da cabeça, "Harrenhal!
Harrenhal!", cantava. Tyrion sentiu um súbito impulso de
saltar, brandir o machado e trovejar "Rochedo Casterly!",
mas aquela insanidade passou rapidamente, e ele se agachou
mais.
Ouviu os relinchos de cavalos assustados e o estrondo de
metal batendo em metal. A espada de Chiggen varreu o rosto
descoberto de um cavaleiro em cota de malha, e Bronn
mergulhou através dos homens dos clãs como um pé de vento,
ferindo inimigos à esquerda e à direita. Sor Rodrik atacava o
homem grande de manto de pele de gato-das-sombras, e seus
cavalos dançavam em círculos enquanto os homens
respondiam um ao outro, golpe a golpe. Jyck saltou para um
cavalo e galopou em pelo para o meio da batalha. Tyrion viu
uma seta projetar-se do pescoço do homem do manto de pele
de gato-das-sombras, Quando abriu a boca para gritar, só viu
sangue saindo dela. No instante em que caiu ao chão, Sor
Rodrik já lutava com outro homem.
Subitamente, Marillion guinchou, cobrindo a cabeça com a
harpa, enquanto um cavalo saltava por cima da rocha que os
protegia. Tyrion pôs-se em pé com dificuldade no momento
em que o cavaleiro dava meia-volta para atacá-los, erguendo
um malho com várias hastes pontiagudas. Tyrion volteou o
machado com ambas as mãos. A lâmina, dirigida para cima,
apanhou o cavalo na garganta com um tunc úmido, e Tyrion
quase largou a arma quando o cavalo berrou e caiu, mas
conseguiu libertar o machado e cambaleou desajeitadamente
para fora de seu caminho. Marillion teve menos sorte. Cavalo
e cavaleiro despencaram no chão, num emaranhado de
membros por cima do cantor. Tyrion avançou enquanto a
perna do salteador ainda se encontrava presa sob o cavalo
caído e enterrou o machado no pescoço do homem, logo acima
das omoplatas. Enquanto lutava para libertar o machado,
ouviu Marillion gemer sob os corpos.
- Alguém me ajude - o cantor arquejou. - Que os deuses
tenham piedade de mim, estou sangrando.
- Creio que é sangue de cavalo - disse Tyrion. A mão do cantor
arrastou-se por sob o animal morto, arranhando a terra como
uma aranha de cinco pernas. Tyrion calcou os dedos com o
salto da bota e sentiu um estalido satisfatório. - Feche os
olhos e finja que está morto - aconselhou ao cantor antes de
erguer o machado e se afastar.
Depois daquilo, aconteceu tudo ao mesmo tempo. A
madrugada encheu-se de gritos e berros, o ar ficou pesado
com o cheiro de sangue e o mundo transformou-se em caos.
Setas voaram silvando junto à sua orelha e ricochetearam nas
rochas. Viu Bronn derrubado do cavalo, lutando com uma
espada em cada mão. Tyrion manteve-se ao largo da luta,
deslizando de rochedo em rochedo e saltando das sombras
para atingir as pernas dos cavalos que passavam. Encontrou
um homem dos clãs ferido e o deixou morto, apropriando-se
do seu meio-elmo. Estava muito apertado, mas Tyrion sentia-
se grato por qualquer proteção que encontrasse. Jyck foi
atingido por trás no momento em que abatia um homem à
sua frente, e mais tarde Tyrion tropeçou no corpo de
Kurleket. A cara de porco tinha sido esmagada com uma
maça, mas Tyrion reconheceu o punhal ao arrancado dos
dedos mortos do homem. Estava enfiando-o no cinto quando
ouviu um grito de mulher.
Catelyn Stark estava encurralada contra a superfície de pedra
da montanha, rodeada por três homens, um ainda montado.
Segurava desajeitadamente um punhal com as mãos
mutiladas, mas tinha agora as costas apoiadas contra a rocha
e estava cercada pelos três lados restantes. Que fiquem com a
cadela, pensou Tyrion, e que façam bom proveito, mas,
apesar disso, avançou. Apanhou o primeiro homem pela parte
de trás do joelho antes que eles percebessem que se
encontrava ali, e a pesada cabeça do machado rompeu carne e
osso como madeira podre. Lenha que sangra, pensou Tyrion
estupidamente enquanto o segundo homem se aproximava.
Tyrion esquivou-se sob sua espada, brandiu o machado, o
homem cambaleou para trás... e Catelyn Stark surgiu pelas
suas costas e abriu-lhe a garganta. O cavaleiro lembrou-se de
um compromisso urgente em outro lugar, e afastou-se
rapidamente a galope.
Tyrion olhou em volta. Os inimigos estavam vencidos, ou
desaparecidos. De algum modo, a luta terminara sem que ele
percebesse. Cavalos moribundos e homens feridos jaziam por
toda parte, gritando ou gemendo. Para seu grande espanto,
não era um deles. Abriu os dedos e deixou cair o machado ao
chão com um tunc. Tinha as mãos pegajosas de sangue. Podia
jurar que a luta tinha durado metade de um dia, mas o Sol
parecia quase não se ter movido.
- Sua primeira batalha? - mais tarde Bronn perguntou,
enquanto se inclinava sobre o corpo de Jyck, descalçando-lhe
as botas. Eram boas botas, como era próprio de um dos
homens de Lorde Tywin; couro pesado, untado e flexível,
muito melhores que as de Bronn.
Tyrion confirmou com a cabeça,
- Meu pai ficará orgulhosíssimo - ele disse. Tinha tantas
cãibras nas pernas que mal conseguia se manter em pé.
Estranho, durante a batalha não reparara na dor uma única
vez.
- Agor